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Política X Despolítica

Das formas do voto 

          Eu, Flavia Virginia, escolho votar de forma política, e não de maneira emocional, como vejo que se tornou comum no nosso país, especialmente nesta eleição de agora. Votar de forma política significa que busco reconhecer nos candidatos o projeto de país que eles têm, e esta é a minha principal preocupação para definir os políticos que deverão, mais do que me representar, cavar, eles mesmos, com as próprias mãos, as fundações para implantar o país que o Brasil precisa ser.

          Em outro texto, eu vinha dizendo como a Política nos foi seqüestrada e, por essa razão, nunca discutimos projetos de país nem projetos de Estado; eventualmente, podemos ler nas redes sociais os planos de governo (que não necessariamente representam os anteriores) e, acima de tudo, o que realmente fica soando em nossas cabeças são os slogans simplistas que os candidatos não cansam de bradar. E, quando finalmente surge no cenário alguém disposto a discutir Política - apresentando, por exemplo, soluções viáveis e desejáveis - é justamente por sua fala correta que ele se impõe menos do que deveria nos resultados finais. Claro, agora é a hora em que Ciro Gomes deverá se manter o mais possível no cenário político nacional para que possamos, quem sabe, passar a discutir um projeto de Estado, se Deus quiser, já nas próximas eleições.

 

Das opções: Jair Bolsonaro

          No momento, no entanto, sobram-nos duas opções. Por um lado, temos um candidato sem nenhuma projeção política, embora com muitíssima projeção midiática, que baseou toda a sua campanha em falas incisivas e autoritárias, contendo as palavras que os brasileiros queriam ouvir: ordem e segurança.

          Inclusive, a mim, o que chamou mais a atenção nas candidaturas foi o fato de não terem copiado Jair Bolsonaro nesta fala que foi evidentemente o que lhe deu mais crédito, sendo ele mesmo despossuidor de qualquer um. Fiquei chocada com a falta de tato e de desconhecimento de como funcionamos nós, os brasileiros, por parte dos outros candidatos (inclusive Ciro Gomes). Falou que vai resolver, já é! Mas tem que falar com palavrão, com frases chulas, com postura de quem vai tomar o caso nas mãos. Assim, somos nós, ao que parece.

          Na vida real, lógico, não é nada assim. Nem este candidato, nem nenhum outro vai conseguir ultrapassar a linha da Política que, embora seqüestrada de nós, reles eleitores, está seguramente presente, embora invisível, e se organiza de modo que nós, reles eleitores, não conseguimos enxergá-la. Então, se  Bolsonaro diz que vai acabar com a desordem e com a insegurança caçando os tipos que considera perigosos para a nossa sociedade, a quem expõe nominalmente, nós simplesmente acreditamos porque queremos mais que tudo acreditar que poderemos viver em paz pelo menos uns quatro anos. Isto não é Política, claro, mas serve para arremedá-la porque nós também não somos lá, no tangente à Política, muito mais que reles eleitores, seres bieniais - aqueles que têm seu nervo político pinçado apenas ali, a cada dois anos, diante da urna.

          A projeção política de Jair Bolsonaro é nenhuma, pois, acima de tudo, não se conhece com clareza sua postura em relação ao projeto de país. Como se não bastasse isso, seu vice faz questão de mostrar como discorda dele em quase tudo e o mesmo vale para outros membros de sua comissão. Não sei nem mesmo se o vice não está preparando, desde já, um golpe, uma tancredada (tendo em vista a  saúde do candidato, ainda exigindo cuidados), algo do tipo. Não admira se der o bote. Está certo que isso é apenas especulação minha; o que interessa mesmo, é que não se sabe com clareza - aliás, nem com escureza - qual o plano de governo que o candidato apresenta que venha a pavimentar um projeto de país. Este problema, muito acima dos outros que o Bolsonaro demonstra ter, é o que verdadeiramente me preocupa. E isso não vem sozinho. Este candidato representa um grupo que não pretende ver o Brasil como um país soberano, porque as soberanias nacionais, em geral, costumam ser boicotadas por grupos que tiram vantagens de poder e financeiras de países vassalos. Este é um tópico concreto da Política, mas é muito difícil de ser alcançado e, certamente no nosso processo eleitoral, não é tratado - motivo pelo qual o que eu estou falando poderá soar como uma mera teoria da conspiração para alguns. O fato é que não é, basta ver que vários países muito menos dotados do que nós e outros países da Latinoamérica - com muito menos recursos naturais, população jovem, espaço físico, rica topografia, etc. - acabaram por desenvolver condições melhores de vida para seus povos precisamente por nos terem explorado até este estado morto-vivo no qual em geral nos encontramos, nós e os hermanos.

          Assim, meu diagnóstico político e não emocional do candidato Jair Bolsonaro é que o plano de governo dele pode, sim, ser bem-sucedido em conseguir uma certa ordem e promover algum retorno da economia, porque isso foi o que o seu grupo seqüestrou de nós para que pudesse impor uma figura como ele, com suas espalhafatosas despropostas. Ganhando a eleição, o dinheiro que nunca se perdeu, tendo sido apenas retirado do mercado de propósito, volta a figurar e a bandidagem que come solta para que o espírito do medo se impusesse sobre os já tristes brasileiros será recolhida, como se faz com a população de rua quando há dirigentes internacionais por aqui. Entretanto, além de todo este plano constituir um ato de imoralidade intolerável, há mais: o objetivo final é a "de-quatrização" do Brasil e do povo brasileiro nos dando de volta aquilo que já era nosso (a economia e a paz - nossa por direito, abduzida quando este mesmo grupo pensa necessário) e dando para os outros o que só a nós mesmos pertence (naturalmente que estou falando desta mesma economia que está aí, sempre pronta para pujar). Diante deste infelicíssimo quadro, dantesco, abaixo do último piso, Jair Bolsonaro me parece uma excrescência real muito pior do que as coisas inacreditáveis que ele aceitou dizer para ser o fantoche do grupo que o contratou.

 

 

Das opções: Fernando Haddad

          O outro candidato é Fernando Haddad. Campanha tardia. Descolada do povo, baseada nas classes acadêmica e artística brasileira, politicamente também fracas e descoladas do povo, apenas “esquerda nutella” - isto é, liberalismo de esquerda, com pouco pé na Política, discutindo, quem sabe, algumas políticas públicas aqui e acolá. Inicialmente, a candidatura demorou para sair porque se tinha a esperança de que Lula pudesse se candidatar. Depois, o próprio PT tomou as piores decisões: não apoiar Ciro Gomes e lançar Fernando Haddad, ele mesmo indeciso entre ser a si próprio ou um sub-Lula, um place holder do ex-presidente. Somente no segundo turno é que ele parece ter se convencido de que é preciso poder pessoal para concorrer e ganhar. Junto com isso, entretanto, cometeram outro erro terrível: Manuela D’Ávila, uma criança para vice-presidente, também ela não sendo a si própria, mas uma evocação de Marielle Franco, outra fixação da esquerda nutella. Não que o crime perpetrado contra ela não tenha que ser julgado. É que nenhuma dessas coisas é a Política. Nenhuma delas anuncia de que iremos viver em 2039. Nenhuma delas restabelece uma sociabilidade decente, apenas arranha a superfície já danificada de problemas que precisam ser solucionados na raiz - raiz esta que se encontra na Política, na Geopolítica, que devem orientar as políticas públicas que se tornam, como diz o nome, públicas para que nós, reles eleitores, as possamos discutir diante do chope - mesmo diante das emocionadas manifestações que esta mesma esquerda liberal tem criado ao longo dos últimos tempos. Manifestações que tornam manifesta, acima de tudo, a incompreensão dos fatos próprios à Política em favor de esboços ideológicos também eles explorados na forma de slogans à exaustão.

          Mas aqui há um fundamental ponto de inflexão. Em que pese esta candidatura de Fernando Haddad vir toda torta, é ela quem melhor representa, das opções que nos restam, uma situação de projeto de país mais próxima da soberania nacional e do bem-estar das camadas mais sensíveis às intempéries às quais nem sequer conseguimos nos habituar. O Brasil esteve melhor, neste âmbito, com o PT do que nas décadas anteriores, assim como o restante da Latinoamérica com seus governos chamados “progressistas” até o “Grande Desmantelamento” destes mesmos governos nos últimos anos. Paradoxalmente, de forma simultânea o PT esteve muito distante do que seria concretamente bom. Mas as melhorias foram claras e não se referem aos slogans “bolsa-família” e afins, de que gostam de repetir seus detratores - pessoas que nunca precisaram de cinqüenta reais para ter forças para levantar da cama, como é óbvio.

 

Explicando que diabo de melhorias do PT são essas
Mobilidade social

          Então, sua empregada passou a poder viajar para o Nordeste para visitar a família de avião? Pois é, não foi com o Sarney, nem com o Collor (os dois nordestinos), nem com o Fernando Henrique (aquele que tem um “pé na cozinha”): foi com o Lula. Tire com o gancho!

          Da mesma forma, crediários, a subida da classe D para C, a retirada do Brasil do quadro internacional de países com miséria e fome.

          Melhor ainda: o filho da sua empregada teve acesso ao ensino superior. Pela primeira e, até agora, única vez no país. Neste campo, não só houve intenso apoio ao desenvolvimento de uma formação de terceiro grau e técnica atingindo principalmente as camadas mais pobres e isso é bom porque sim; a tendência seria reverter a evasão de cabeças porque todo o mercado se reordena quando a mão-de-obra sobe de nível.

 

Projeção internacional

          O afazer bastante mais assertivo do Itamaraty deu ao Brasil, também pela primeira vez, reconhecimento internacional, estreitamento das relações com os países vizinhos e inclusive com países africanos, admiração por parte dos países europeus.

          É como se o Brasil tivesse, por fim, acordado para o mundo - e o mundo, para o Brasil - depois de 500 anos.

 

Reordenamento geopolítico

          No bojo de um exercício de Relações Internacionais mais robusto, o Brasil se aventurou também numa releitura do ordenamento geopolítico, interessando-se por vias alternativas que, de fato, pudessem lhe proporcionar a soberania que seu tamanho, sua população, suas riquezas naturais e seu dom empreendedor podem lhe oferecer. Alinhou-se aos BRICS, feito de países com algumas características semelhantes e anseios iguais, que é o hall de entrada para um mundo de países soberanos e sem países vassalos.

 

Transformação em país emergente

          Mudança de estatuto internacional de país subdesenvolvido para país emergente, o que significa ampliação de possibilidades comerciais, diplomáticas, culturais e de poder com outros países na mesma condição. É uma espécie de mobilidade social do Brasil como um todo no plano macro.

 

Conclusão: projeto de país que se pode delinear a partir do acima exposto

          Com o PT, o país deu um passo importantíssimo rumo à soberania, pois cuidou da diminuição do cancerígeno fosso sócio-cultural que nos assola e impede que parte substancial da população tenha para o Brasil objetivos parecidos, algo crucial para que os esforços que todos empreendemos tenham efeito palpável.

          Igualmente foi possível perceber a eficiência de um pensamento internacionalista estruturado, fruto de uma orientação geopolítica mais madura contra o mero exercício das trocas comerciais ao qual o Itamaraty anterior e posterior nos tem habituado. O mundo também se interessou por este movimento, mostrando que, muito embora o tabuleiro seja fixo, as peças podem ser movidas de formas diversas - e isto é inclusive bem-visto, além de saudável.

 

O que ficou faltando

          Projeto de Estado. Muito mais complexo e sensível, a ser discutido em outro texto.

 

 

Slogans políticos para quem é cego para a política: a corrupção do PT, Deus me livre!

          As pessoas estão mais preocupadas com o slogan da corrupção do PT do que com a própria corrupção, pois, caso contrário, não poderiam deixar de notar a arbitrariedade com a qual os acontecimentos que unem impeachment e Operação Lava-Jato se deram; isso para não dizer que vários partidos estão envolvidos. Nada disso atesta, é claro, a honestidade do PT, mas denuncia:

  1. a falta de capacidade de pensamento político do povo brasileiro, que "não completa uma frase";

  2. o abuso com que as coisas são resolvidas no país, visto, dentre outros momentos, na concretização de um esquema "com supremo e tudo" estar muito mais à mão do que se poderia esperar. O povo parece ter ficado surdo diante de algo tão gritante; aqui neste caso, também berra a participação da mídia no bolo: convencer as pessoas a permanecerem confusas mesmo quando anuncia a verdade.

 

Do complexo significado da demonização do PT

          A demonização do PT faz parte de um esquema mental que busca simplificar o que é complexo. As conquistas que mencionei acima são inegáveis e inclusive, inegociáveis, coisa que quem está do lado de lá delas pode confirmar e quem está do lado de cá, só pode negar ou desdenhar a partir da postura da Despolítica. É verdade que o PT não se interessa adequadamente por política: não criou sucessores, não ampliou a discussão sobre o projeto de país, se focou demasiadamente em conseguir melhorias de primeiro grau para as classes menos favorecidas e não tomou as providências cabíveis para liquidar o excesso de confiança dos grandes sistemas (bancadas ruralista, do agro e evangélica, todo o sistema bancário, indústria farmacêutica, etc.). Centrou-se apenas nos movimentos de base, ágora das políticas públicas, que, acima de tudo, garantem votos. Reparando nisso, seus detratores têm razão quando dizem que o partido tem um projeto de perpetuação e que este é mais forte do que o projeto de país. É verdade, a ponto de que por este mesmo motivo - o de manter o partido forte aconteça o que acontecer - é que ele não fez o mais correto, nestas eleições, que teria sido dar lugar e apoio a Ciro Gomes, trabalhando com ele na (re)composição do país. Não; o PT preferiu manter-se na oposição e este será o significado da perda de Haddad, caso venha a ocorrer: seu partido liderará a oposição e isso lhe trará (ao partido) vantagens nos campos do poder e eleitoral futuros.

          A demonização funciona porque ela diz que todas as coisas são iguais e podem ser resolvidas de uma única maneira. Todos os partidos estão indiciados no processo da Lava-Jato, mas só um foi demonizado pela mídia, porque este processo é irmão gêmeo do impeachment, que retirou o PT da presidência. Algumas pessoas dos outros partidos também foram presas, mas apenas uma, de um determinado partido foi elevada à categoria de belzebu. Portanto, se o belzebu for eliminado e também os seus rastros, o Brasil poderá readquirir a paz que sempre teve antes… Hã? Sim, é assim que funciona a mente de muitos brasileiros. "Não está perfeito ainda", dizem, "mas é preciso primeiro essa limpa". A limpa consiste em manter Lula preso e não permitir que o PT volte a governar o país, não importando nem um pouco quem então governaria, porque isso seria agregar uma variável desconhecida à equação - e, para quem não consegue lidar bem com a matemática, as equações não podem de forma alguma ter mais de uma incógnita.

          Ainda mais aterrorizante é pensar que, no processo de abdução do cérebro político do brasileiro, ele tampouco consegue fazer a seguinte conta: não houve nenhuma melhoria nestes dois anos de impeachment e isso tem um significado - por exemplo, Temer está cotado para fazer parte da equipe de Bolsonaro, denunciando um recíproco modus pensandi entre os dois. Não deveríamos estar gozando de bons momentos, de 2016 para cá? Como se explica esta situação?

          Em outras palavras, todo este encadeamento fala muitíssimo mais sobre quem é o brasileiro do que sobre quem são Lula, Haddad ou Bolsonaro.

 

 

Direito de réplica: o programa de país de Jair Bolsonaro

          O objetivo é enumerar propostas políticas, não slogans eleitoreiros, isto é: ao se propor isto, se explica de forma clara o modo para alcançá-lo e se poderá traçar, como fiz antes, o significado das ações em termos de projeto de país.

          Curiosamente, no entanto, aqui se dá o contrário: sem que eu entenda as propostas, percebo o projeto de país:

  1. Desfazer as conquistas já conseguidas no campo social. Isto se evidencia pelo já mencionado fato de que não houve nenhuma melhora de 2016 até agora, apesar do impeachment. A insegurança e o desemprego aumentaram e a economia não esquentou, mesmo que não tenha havido desastres que tivessem destruído nossas reservas  e nem pandemias que matassem nossa mão-de-obra jovem. Está tudo bem parado e o impeachment, mesmo “prendendo vários corruptos e devolvendo o dinheiro roubado aos cofres públicos”, só serviu ao que já foi descrito, mesmo, pois nem eu, nem você que me lê pudemos perceber a entrada desse dinheiro na nossa economia concreta.

  2. Aprofundar a rivalidade surgida no clima desesperador montado como cenário a partir de 2016, de maneira a criar dois polos formados por cabeças despolitizadas, ambos perdidos em quanto a o que é certo e o que é errado, mas um deles - o de Bolsonaro - apoiado por slogans, xingamentos e gritos que oferecem uma catarse coletiva, para alguns, aliviante. Esta rivalidade tem um objetivo: divide para governar e governa para quem se quer. A presidência da república passa a ser exclusivamente um escritório de troca de favores entre grupos de poder de dentro e fora do país. E nós continuamos aqui, discutindo os adjetivos que nos foram distribuídos durante a campanha.

  3. Interromper o diálogo frutífero com a Latinoamérica, talvez até sugerindo uma guerra à Venezuela para a instalação de uma base na Amazônia e sua posterior exploração por forças não-nacionais, claro.

  4. Acentuar o já iniciado processo de reversão neo-colonial, isto é, transformar o Brasil de novo num país de mentalidade e economia de terceiro mundo, com produção quase exclusiva de matérias-primas para exportação, desmonte do parque industrial, reordenamento do quadro educativo para criar trabalhadores para o mercado, ampliar o fosso social, mediocrizar o acesso à cultura, etc.

  5. Aprofundar o capitalismo dos grandes sistemas e manter intacto o esquema de escravatura moderna (ou seja, assalariada).

  6. Oferecer pequenas migalhas como se fossem grandes presentes (gadgetização do dia-a-dia, com meios mais eficientes para que as pessoas passem mais horas ainda nas redes sociais, por exemplo).

          Em outras palavras, é mais do mesmo, apenas. É aquilo que sempre foi na maioria do tempo.

 

Da defesa da escolha de Haddad

          Enfim, diante do desastre que vivemos, nenhuma candidatura é boa. Mas há uma diferença importante de nível entre as duas: é a guerra entre a Despolitização do Político (e o esvaziamento do sonho do projeto de país) versus a Política Possível (antes do caos total devidamente disfarçado de presentinhos xoxos).

          Não temos boas opções. Temos um desastre que pode ser controlado se o leme pelo menos voltar para a direção correta. Com isso, poderia até ser que, em alguma eleição próxima, tenhamos mais Política e um número maior de candidatos bons para escolher. Agora, não. Temos isso aí. Tentar voltar a andar pra frente no jogo, em vez de continuar andando para trás. Fora de slogans; apenas a Política real de pôr o país para andar de novo. Encarar com realidade a realidade, não com fantasias do tipo “agora a segurança vai voltar nesse país” e nem, por outro lado, “não voto em político corrupto”. Não vote no político, vote no projeto. Se ele não existir, este não é um bom candidato e ele precisa ser varrido do meio político, pois está no lugar errado. Lugar de fazer justiça com as próprias mãos não pode ser a presidência da República.

 

 

Voto nulo: a pior das desopções

          De acordo com o sistema que temos, o voto nulo ou em branco não favorece o bom andamento da eleição. Ele apenas comprova que este eleitor não pode decidir por si nem sequer o que é o menos pior numa dada situação. Embora isto esteja longe do ideal, é fundamental para a vida adulta saber decidir também diante de casos assim. É preciso votar com base no significado do voto, que existe sempre, mesmo quando as coisas não são como deveriam.

          Votar nulo, portanto, é passar um atestado de que os operários da despolítica venceram e que você, pessoalmente, foi por eles derrotado, mas, infelizmente, leva junto nesta derrota todo o restante da população brasileira. 

 

 

Pela volta da saúde social

          No entanto, apesar de declarar aqui o meu voto neste domingo em Fernando Haddad e de expor minha visão sobre o processo político pelo que estamos passando, o que eu queria dizer de mais importante não é isso. É o seguinte: não desfarei amizade com ninguém que votar em Jair Bolsonaro. Não entendo que essas pessoas sejam fascistas, homofóbicas, racistas nem nada disso. Entendo que estão lidando com a política do modo errado, com os poucos instrumentos de que nós, brasileiros de todas as classes sociais e culturais dispomos. São poucos, rasos e ineficazes. Somos o seu reflexo. A eleição presidencial é praticamente o único momento em que discutimos temas próximos à política a maioria absoluta dos brasileiros. Não temos a menor noção do que está em jogo, e, diminuídos em nossa capacidade intelectual como estamos, num processo ininterrupto desde 1964, slogans fortes e bradados com convicção são suficientes para preencher a lacuna política que nos assombra. Portanto, no meu time de amizades, virtuais e reais, ficam todos. Consegui não brigar com ninguém até agora, pois me considero apenas uma brasileira tentando de todos os modos manter o pescoço intelectual fora d‘água, e entendo que muitos tenham mais dificuldades, se defendendo como podem dessa água que só sobe. São todos igualmente meus irmãos e enfrentaremos juntos o Brasil que nos restar.

 

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